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A turbulenta vida de Vincent Van Gogh

Vincent Van Gogh (1853-1890) foi um dos pintores mais influentes da história da arte ocidental.


Retrato de Vincent Van Gogh
Vincent Van Gogh | Imagem

Vida pessoal


Nascido em Zundert, na Holanda, Vincent Van Gogh teve uma vida marcada por instabilidade emocional, crises mentais e dificuldades financeiras.


Filho de Theodorus Van Gogh e Anna Cornelia Carbentus, Vincent cresceu em ambiente rigoroso e protestante, frequentou a escola de Zevenbergen (1864) e Tilburg (1866), onde sentia-se isolado e sem a atenção dos pais.


Apesar de ter sido educado por uma governanta entre 1861 e 1864, durante a vida adulta, Vincent era letrado, com amplo conhecimento geral e autodidata. Além holandês, sua língua nativa, falava e escrevia fluentemente em francês, dominava o inglês razoavelmente bem e conseguia ler em alemão.


Theo Van Gogh, irmão mais jovem de Vincent, trabalhava como negociante da arte. Sem a ajuda financeira que proporcionava, dificilmente Vincent teria meios para produzir suas obras.


As cartas trocadas entre Theo e Vincent Van Gogh


Entre 1872 e 1890, Vincent teria escrito cerca de 650 cartas para Theo, registrando dificuldades financeiras, discutindo processos criativos, a admiração por outros artistas, momentos de angústia, solidão, e reflexões sobre a condição humana. As cartas registram também seu estado físico e mental, momentos de crises anteriores ao falecimento em 1890, sendo consideradas uma das fontes históricas mais ricas e detalhadas da história da arte.


Em uma de suas cartas datada em 18 de agosto de 1888, Van Gogh descreve trechos sobre o retrato enquanto o finalizava e detalhes sobre "Os Comedores de Batata" (1885).


Retrato de Patience Escalier, Vincent Van Gogh
Retrato de Patience Escalier | Imagem

"Meu querido Theo,


Em breve você conhecerá o Sr. Patience Escalier — uma espécie de homem com uma enxada, um antigo pastor de bois da Camargue, que agora é jardineiro em uma fazenda em Crau.

[...] A cor deste retrato de um camponês não é tão escura quanto a dos comedores de batata de Nuenen […]. Bem, eu sei que não devemos nos desanimar porque a utopia não está chegando. É que percebo que o que aprendi em Paris está se dissipando e que estou retornando às ideias que me vieram ao campo antes de conhecer os impressionistas. E não me surpreenderia se os impressionistas logo encontrassem defeitos na minha maneira de fazer as coisas, que foi mais influenciada pelas ideias de Delacroix do que pelas deles.

Os comedores de batata, Vincent Van Gogh
Os comedores de Batata | Imagem

Porque, em vez de tentar reproduzir exatamente o que tenho diante dos meus olhos, uso a cor de forma mais arbitrária para me expressar com força.

[Mas imagine] o homem incrível que eu tive que interpretar, no auge da época da colheita, lá no sul profundo. Daí as laranjas, brilhando como ferro em brasa, daí os tons de ouro antigo, reluzindo na escuridão.

Ah, meu caro irmão — e as pessoas de bem verão apenas caricatura nesse exagero. Mas o que isso nos traz de bom? Lemos La Terre e Germinal , e se pintarmos um camponês, queremos mostrar que essa leitura, de alguma forma, se tornou parte de nós .


Sempre seu,

Vicente"


Carreira


Vincent Van Gogh começou a pintar aos 27 anos. Em cerca de dez anos, produziu mais de 2.100 obras, incluindo 870 pinturas a óleo, passando por diferentes fases e influências, como o realismo sombrio até o uso de cores vibrantes após se mudar para Paris (1886) e entrar em contato com o impressionismo.


Dentre as obras mais famosas: A Noite Estrelada (1889), Os Girassóis (1888), O Quarto de Van Gogh em Arles (1888), Auto-Retrato (1888) e Os Comedores de Batata (1885).


Em 1890, em Bruxelas, Vincent Van Gogh teve uma participação significativa na exposição Les XX onde vendeu "A Vinha Encarnada". Outras exposições maiores de suas obras aconteceram a partir de 1892.


Pomar com Cipestres, Vincent Van Gogh
Pomar com Cipestres | Fonte de imagem

A popularidade de Vincent Van Gogh aumentou a partir do século XX, tendo sua imagem vinculada à de um gênio isolado e incompreendido que trabalhou em dificuldade e sem reconhecimento, sobrevivendo a partir da pobreza, automultilação, distúrbios mentais e finalizando sua história com o suicídio.


A falta de reconhecimento intensifica a lenda. Sua história foi registrada em poemas, romances, filmes e música, Van Gogh tornou-se um dos nomes mais influentes de todos os tempos. Sua obra "Pomar com Ciprestes" pintada em 1888 foi vendida em 2022 por US$ 117 milhões.


Saúde, morte e legado


Em 8 de maio de 1889, Vincent foi internado voluntariamente na clínica psiquiátrica de Saint-Paul-de-Mausole após uma grave crise mental em que cortou a própria orelha.


Vincent deixou a clínica em maio de 1890, esperançoso por viver de forma independente próximo ao irmão. Dois meses após chegar em Auvers-sur-Oise, próximo a París, Vincent atirou no próprio peito.


"Bem, arrisco minha vida pelo meu trabalho e minha razão meio que se perdeu nisso. Mas o que se pode fazer?" — frase inacabada de uma carta para Theo, 27 de julho de 1890.


A sensação de fracasso na vida profissional, amorosa e artística e a exaustão emocional teriam contribuído para o final trágico.


"Minha vida está sendo atacada pela raiz, meus passos também estão vacilando." — Para Theo, 10 de julho de 1890.


Vincent alugou um quarto da Aubergue Ravoux. A família Ravoux, acostumada a vê-lo sair para o trabalho e retornar pontualmente para o horário do jantar, se preocupou ao não vê-lo retornar no dia 27 de julho de 1890.


Theo foi avisado e viajou imediatamente para socorrer o irmão, mas a vida de Vincent Van Gogh chegaria ao fim do no dia 29 de julho de 1890.


Trecho da carta de Theo para sua esposa Jo com detalhes sobre as últimas palavras de Vincent Van Gogh e funeral
Trecho da carta de Theo para sua esposa Jo onde detalha as últimas palavras de Vincent e seu funeral. | Fonte de imagem

Após a morte do irmão, a saúde de Theo deteriorou, sendo internado em outubro de 1890 e falecendo em 25 de janeiro de 1891.


Johanna Van Gogh-Bonger, conhecida como Jo e esposa de Theo, após a morte dos irmãos, organizou as cartas e as obras, promoveu exposições para as obras de Vincent.


Após a morte de Vincent Van Gogh, tornou-se um dos artistas mais valorizados do mundo e um dos pioneiros do pós-impressionismo, com influências diretas no expressionismo e na arte moderna em geral, usou a cores vibrantes para expressar sentimentos, como a angústia a partir do céu amarelo e ácido, moldou a pintura criando movimento e textura. As cartas tornaram as obras em um diário visual do artista.



Fontes de pesquisa:


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