A vida amorosa de Vincent Van Gogh
- Andressa Katsuco Tai

- 24 de abr.
- 3 min de leitura
Ao longo de sua vida, Vincent Van Gogh apaixonou-se algumas vezes e colecionou decepções. Ele classificava as mulheres em duas categorias: as de sua própria classe social e as de classes sociais mais baixas, com quem simpatizava.
Kee Vos-Stricker

Vincent a conheceu em 1881, aos 28 anos. Apaixonou-se perdidamente por Kee, uma viúva recente com um filho pequeno. Ela passava uma temporada na casa dos pais de Vincent.
O sentimento, no entanto, não era recíproco. Ao ser pedida em casamento, a resposta de Kee, sua prima de primeiro grau, tornou-se histórica:
"Nooit, neen, nimmer" (Não, não, nunca/jamais).
Vincent tentou visitá-la no Amsterdã na casa dos tios mas foi impedido de encontrá-la. Seu pai, Theodorus van Gogh, considerou a insistência inadequada e desrespeitosa ao luto de Kee, o que causou uma ruptura séria entre a família.
Anos depois, Vincent revelaria ao seu irmão que o amor por Kee era uma ferida profunda que jamais cicatrizaria completamente.
Sien Hoornik

Sien Hoornik trabalhava como costureira e prostituta e estava grávida de seu segundo filho. Um ano depois, Vincent a conheceu em Haia após ser expulso da casa dos pais. Ele a acolheu em seu estúdio, cuidou dela durante o parto e assumiu o papel de pai para as crianças.
A relação foi feliz durante um tempo, mas os sentimentos por Sien não eram tão fortes quanto por Kee Vos-Stricker.
"Meus sentimentos por ela são menos intensos do que os que eu sentia por Kee Vos no ano passado, mas um amor como o que sinto por Sien é o único que sou capaz de sentir. Ela e eu somos dois desafortunados que fazem companhia um ao outro e compartilham o fardo, e é assim que a infelicidade se transforma em felicidade e o insuportável se torna suportável". — Revelou em carta para Theo.

Em "Sorrow", obra de Van Gogh de 1882, Vincent retrata Sien nua, curvada e desgastada pela vida.
A família de Vincent não aceitava a relação, considerando a escolha um desonra social e moral. Theo ameaçou cortar o financiamento a Vincent caso o casamento acontecesse.
Vincent estranhou a proximidade de Sien com a família, que a levou à prostituição.
O relacionamento durou cerca de 18 meses. Dentre as causas da separação:
O dinheiro financiado por Theo não foi capaz de sustentar a família;
Sien, sob pessão da família, retornou ao alcoolismo e à prostituição;
Vincent não conseguiria focar em se tornar o artista que gostaria.
Para Vincent, Sien foi a tentativa de encontrar beleza e dignidade no que a sociedade considerava imoral.
Margot Begemann
Aos 30 anos, Vincent retornou à casa dos pais em Nuenen. Lá, ele se envolveu com Margot Begemann, uma vizinha dez anos mais velha.
Vincent pretendia se casar com Margot, mas a relação não foi aprovada pela família da moça de família burguesa.

"Theo, sinto uma pena enorme dessa mulher". — Revelou Vincent em carta.
Vincent, que também lutava por sua saúde mental, a de forma objetiva:
"Ela não é louca, mas o sistema em que ela vive a está deixando doente." — Relatou a Theo.
Apesar da resistência, Vincent e Margot decidiram se casar, recebendo violenta oposição das irmãs da moça.
A pressão psicológica resultou em final trágico para a relação: Margot tentou suicídio, Vincent a levou ao médico às pressas, mas o trauma destruiu a possibilidade de união.
Agostina Segatori

Em 1886, aos 32 anos, Vincent se mudou para París onde conheceu Agostina Segatori, uma ex-modelo de pintores famosos e proprietária do restaurante Café du Tambourin,
No café, Vincent expôs suas obras ao lado de amigos como Paul Gauguin.
Acredita-se que o envolvimento entre Agostina e Vincent foi breve.
Com os problemas financeiros enfrentados por ela, o relacionamento e a parceria profissional terminou.
Conclusão
Após as tentativas de relacionamento, Vincent seguiu para Arles. Entende-se que ele deixou a buscar por "amar e ser amado" pela arte.
Apaixonar-se por mulheres que em sua concepção "precisavam ser salvas" pode ter dificultado o processo, mas ao abdicar de sua vida amorosa, encontrou sua fase mais produtiva.

Comentários