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Luz, alma e propósito: a inspiradora trajetória de Gabi Félix na criação de velas artesanais

13 de out.
9 min de leitura

Conheça a história de Gabi Félix: de executiva no mercado financeiro a fundadora de uma marca autoral de velas artesanais, a "Whispers And Smoke". "Não gosto simplesmente de reproduzir algo que já existe. Primeiro eu crio um conceito."


  • Gabi Félix: luz, alma e propósito. A trajetória na criação de velas artesanais.
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    Gabi Félix: luz, alma e propósito. A trajetória na criação de velas artesanais.

Imagens: Gabi Félix para "Whispers And Smoke". Acesse: https://www.whispersandsmoke.com.br/


O teatro tem o dom de nos conectar com pessoas que carregam histórias tão intensas quanto aquelas que ensaiamos no palco, e foi justamente nesse ambiente que tive a alegria de conhecer a Gabi Félix. Nossa amizade começou ali. Era perceptível que sua sensibilidade transbordava para outras áreas da vida.


Quando propus a entrevista, fiquei imensamente feliz por ela ter topado abrir o coração e compartilhar sua jornada conosco. A Gabi deixou para trás a aparente estabilidade do mercado financeiro para fundar a 'Whispers And Smoke', sua marca de velas artesanais, provando que é possível transformar momentos de vulnerabilidade em luz.


O bate-papo que vocês vão ler a seguir não é apenas sobre os bastidores do empreendedorismo. É uma conversa sincera sobre coragem, recomeços e a beleza de se colocar energia naquilo que se constrói com as próprias mãos. Confira a história de Gabi Félix


1. Qual foi o momento exato que você percebeu que queria deixar a estabilidade de um emprego CLT para empreender e criar sua própria marca de velas?

Acho que tudo começou com uma necessidade. Eu sou mãe solo e, durante o processo de separação, definição de pensão alimentícia e guarda, acabei me endividando. Ao mesmo tempo, vivi a perda da minha mãe, então estava passando por um período muito delicado de luto. Eu precisava me reinventar, encontrar uma forma de gerar uma renda extra e, ao mesmo tempo, precisava de alguma atividade que também fosse terapêutica para mim. Foi quando comecei a pesquisar e decidi fazer velas.


Uma frase que eu ouvi uma vez ficou muito marcada para mim: “Você monta um negócio para empreender, e esse negócio monta você”. Hoje eu vejo o quanto isso é verdade. A partir das velas, eu percebi que era possível transformar algo que eu fazia com as minhas próprias mãos em dinheiro. Isso aumentou muito a minha confiança e me fez enxergar que eu poderia, sim, construir alguma coisa minha. Então, antes mesmo de sair do CLT, comecei a me planejar. Não foi uma decisão impulsiva. Foi um processo de entender que eu queria construir uma vida profissional que tivesse mais sentido para mim.


Luz, alma e propósito: a inspiradora trajetória de Gabi Félix na criação de velas artesanais
Imagem: Gabi Félix para "Whispers And Smoke". Acesse: https://www.whispersandsmoke.com.br/

2. Muitas pessoas têm medo de mudar drasticamente de área. Qual foi seu maior frio na barriga ao pedir demissão, e como você lidou com isso?

Sim, eu tive muito frio na barriga. Mas, curiosamente, não era exatamente a mudança de carreira que me assustava. Essa já era a minha segunda grande transição profissional. Sou formada em Design de Interiores, trabalhei durante oito anos nessa área, principalmente com consultoria de vendas de móveis de luxo, e depois fiz uma transição para o mercado financeiro.


O que realmente me assustava era abrir mão daquela sensação de “segurança” que o emprego CLT traz. Só que, com o tempo, eu também entendi que essa segurança é um pouco ilusória. Pessoas são demitidas todos os dias. Então eu comecei a me preparar. Estudei muito educação financeira, li livros para aumentar minha sabedoria com minhas finanças, mudei drasticamente alguns hábitos de consumo e me organizei financeiramente.


No final das contas, o frio na barriga era aquele mesmo que qualquer pessoa sentiria diante de uma decisão grande. E acho que, nesse momento, o que fez a diferença foi coragem. Não a ausência de medo, mas a decisão de seguir mesmo sentindo medo.



3. Quais habilidades ou aprendizados do mundo financeiro e corporativo você acabou trazendo para a gestão do seu ateliê hoje?


Eu trouxe muita coisa. Atuei durante oito anos como consultora de vendas no mercado de luxo, e isso me deu uma bagagem muito grande para lidar com pessoas, entender necessidades, construir relacionamento e, principalmente, entender que vender não é simplesmente oferecer um produto. É entender o que aquela pessoa procura e conseguir transformar isso em uma experiência.


Depois, no mercado financeiro, trabalhei em um dos maiores bancos da América Latina como gerente de empresas. E essa experiência foi muito importante para a minha visão de negócio.


Aprendi muito sobre fluxo de caixa, negociação com fornecedores, meios de pagamento, organização financeira e, principalmente, sobre separar muito bem o dinheiro da empresa do meu dinheiro pessoal.


Então, hoje, mesmo sendo uma empresa pequena, eu tento ter uma visão muito profissional da gestão. Eu entendo que o tamanho da empresa não diminui a importância de administrar bem o dinheiro.



4. Fazer velas exige muita técnica e sensibilidade. Como funciona seu processo criativo para desenvolver novos aromas e formatos?


Eu costumo chamar meu processo criativo de “caos criativo” (risos). Eu busco muitas referências, principalmente na internet, mas não gosto simplesmente de reproduzir algo que já existe. Primeiro eu crio um conceito.


Penso: "o que eu quero que essa vela faça a pessoa sentir? Que memória eu quero despertar? Que sensação quero provocar?". Normalmente eu consigo imaginar o modelo pronto na minha cabeça. A partir disso, começo a procurar os elementos que vão construir aquela experiência: a essência, o recipiente ou molde, os detalhes e até a identidade visual. Os rótulos, inclusive, eu desenvolvo junto com a minha esposa.


Depois começa a parte mais técnica, que é testar. E não é tão simples quanto parece. Existe teste de queima, escolha de pavio, quantidade de essência, comportamento da cera... Eu anoto tudo e vou fazendo os ajustes até chegar no resultado que imaginei.

Então existe bastante criatividade, mas também existe muita técnica, teste e, principalmente, paciência.



5. De todas as velas que você já criou, existe alguma que tenha uma história especial por trás ou que seja sua vela favorita?


Sem dúvida, a minha favorita é a Destilled in Spirit. Até o próprio nome, que significa “destilada em espírito”, representa muito a ideia dela ter vindo realmente da alma. Foi o primeiro modelo que eu lancei e, sem dúvida, é o mais autêntico da marca. O aroma foi criado para registrar um momento muito marcante de um amor que eu vivi.


A ideia era deixar aquele amor registrado para sempre. Reconhecer que ele aconteceu, que foi importante, mas também entender que nem tudo é feito para durar para sempre. E essa vela acabou se transformando em uma experiência sensorial, não apenas em um produto.


Ela tem um aroma pensado para remeter a uma cabana, uma playlist criada especificamente para acompanhar a experiência e também um e-book que conta um momento vivido naquele dia.


A intenção é fazer a pessoa não apenas sentir o cheiro da vela, mas conseguir entrar naquela história, naquela atmosfera.



6. O que as pessoas costumam não saber sobre a produção de uma vela de alta qualidade que você aprendeu na prática?


Acho que muita gente pensa que fazer uma vela é simplesmente derreter a cera, colocar essência e pronto. E não é.


A escolha da matéria-prima faz muita diferença. A qualidade da cera, do pavio e principalmente da essência interfere diretamente no resultado final. Existe toda uma parte técnica relacionada à temperatura. A essência precisa ser incorporada à cera no momento adequado, porque temperatura demais ou de menos pode comprometer a performance e a fragrância da vela.


Além disso, existe o teste de queima. Não basta a vela estar bonita. Ela precisa queimar de maneira adequada, ter uma boa formação de piscina de cera, uma chama equilibrada e entregar a fragrância da maneira que foi planejada.


Eu aprendi muito disso na prática, fazendo testes, errando, anotando e ajustando. É um processo bastante técnico por trás de um produto que, para quem olha de fora, parece simples.



7. Qual foi o obstáculo mais inesperado que você enfrentou nos primeiros meses gerenciando seu negócio?


Acho que foi a gestão do tempo. Eu comecei a empresa ainda trabalhando no CLT, então precisava conciliar a vida no banco, a maternidade e o empreendedorismo. Era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. E uma coisa que eu sempre tive muito clara, por ter trabalhado alguns anos no banco, é que CNPJ é CNPJ e CPF é CPF. Então o controle financeiro precisa ser muito rigoroso.


Eu imaginava que, quando saísse do CLT, teria muito mais tempo para cuidar da empresa e fazer essa gestão de uma maneira mais minuciosa. Só que descobri que sair do emprego não significa necessariamente ter mais tempo. A maternidade e a rotina continuam existindo e trazem outros desafios.


Então, para mim, gestão de tempo e precificação ainda são grandes desafios.


Como eu ainda sou MEI, também não consigo trabalhar com grandes estoques. Então preciso estar sempre acompanhando o valor que paguei nos insumos, atualizando custos e entendendo se aquela venda realmente está sendo saudável para o negócio.



8. O mercado de bem-estar, autocuidado e decoração está crescendo muito. Como você trabalha para que sua marca se destaque nesse cenário?


Dentro do que eu consigo fazer hoje, eu busco trabalhar com matérias-primas de qualidade, ter muito cuidado com o produto final e oferecer um atendimento excelente.


Eu também acredito muito na experiência do cliente. Então tento responder rápido, entender o que a pessoa procura e estar atenta às novidades e aos movimentos do mercado. Observo quais aromas estão despertando interesse, quais produtos as pessoas estão procurando, novas possibilidades de experiência e até workshops e outros formatos que podem aproximar a marca das pessoas.


Acho que esse é um ponto que ainda quero desenvolver muito mais: entender cada vez melhor o mercado sem perder a identidade da minha marca.


9. Como sua definição de sucesso profissional mudou desde que você fez a transição para a vida de empreendedora?


Na verdade, acho que a minha definição de sucesso mudou antes mesmo do empreendedorismo. Mudou quando minha filha nasceu.


Eu sempre busquei sucesso profissional através de grandes cargos, salários e reconhecimento. Só que, depois que ela nasceu, meus valores mudaram.


Hoje, para mim, sucesso é ter liberdade para escolher onde colocar meu tempo. É conseguir estar presente nas coisas que considero importantes e construir algo que tenha significado. Também é deixar um legado para minha filha.


Eu quero que ela cresça vendo que é possível construir alguma coisa com propósito, que é possível acreditar em uma ideia e trabalhar por ela. E quero que a minha empresa tenha valores nos quais eu acredito, como justiça, amor e respeito.

Então, hoje, sucesso para mim não é apenas quanto a empresa fatura ou qual cargo eu ocupo. É olhar para a minha vida e sentir que estou construindo algo que faz sentido para mim e para a minha filha.



10. Qual conselho mais honesto você daria para os leitores ou ouvintes que estão insatisfeitos com empregos tradicionais e desejam transformar um sonho ou hobby em negócio?


Eu diria: façam.


Claro que não estou dizendo para simplesmente largar tudo sem planejamento. É importante saber o que você quer, entender por que está fazendo aquilo e, principalmente, ter um propósito.


Empreender envolve muitas renúncias. Tem dias em que você vai questionar se está fazendo a coisa certa, vai errar, vai precisar recomeçar e vai abrir mão de algumas coisas. E, se você não tiver um propósito muito claro, fica muito mais difícil sustentar o processo.

Outra coisa que eu considero fundamental é estar disposto a errar.


A gente cresce ouvindo que precisa acertar, que precisa fazer tudo perfeito. E no empreendedorismo eu descobri que você precisa estar disposto a testar, errar, aprender e fazer de novo.


Então, se existe um sonho ou um hobby que você acredita que pode se transformar em um negócio, comece. Comece pequeno, comece com planejamento, mas comece. Porque foi fazendo que eu descobri que era capaz de muito mais do que eu imaginava.




Considerações finais


A trajetória da Gabi nos ensina que, muitas vezes, é no meio das nossas maiores vulnerabilidades que somos capazes de encontrar a força e nossa própria luz. A criação da Whispers And Smoke fala sobre a capacidade de resgatar a autonomia, redefinir o sucesso e transformar desafios em propósito. Que essa história te inspire a construir uma rotina com mais significado e liberdade!


Não deixe de conferir os produtos incríveis criados pela Gabi:




Indicações de leitura

(As recomendações da Gabi para quem busca mudança.)


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A obra propõe uma mudança profunda na forma como enxergamos o dinheiro. O autor mostra como quebrar crenças limitantes enraizadas desde a infância e adotar 17 modos de pensar e agir para alcançar uma verdadeira liberdade financeira.




O lobo da estepe (Hermann Hesse) - Indicaçõoes de leitura

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