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A Belle Époque Carioca

há 3 dias
3 min de leitura

Inspirado no modelo parisiense, o período marcou intensa transformação cultural, social e urbana na cidade do Rio de Janeiro entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.


A Avenida Central no início do século XX, atual Rio Branco. | Foto: Acervo Instituto Moreira Salles
A Avenida Central no início do século XX, atual Rio Branco. | Foto: Acervo Instituto Moreira Salles

Entre 1889 e 1930, a elite carioca buscava redefinir a imagem da recém-proclamada República brasileira, apresentando um país moderno e europeizado.

A Belle Époque carioca aponta para uma intricada rede de tendências, que se espraiam ao final do século XIX e prosseguem nas primeiras décadas do XX. Entre elas, avultam as ligadas ao panorama de movimento vertiginoso, às tensões modernas, às dinâmicas de gênero e ao traçado da cidade do Rio de Janeiro.

(A Infanta Carlota Joaquina, pág. 22)


Reforma urbana e sanitarismo


Liderada pelo prefeito Pereira Passos (1902-1906) e pelo médico Oswaldo Cruz, a cidade passou por um drástico processo de modernização. As ruas estreitas de origens coloniais deram lugar às largas avenidas, como a Av. Central (atual Av. Rio Branco), inspirada nos boulevards de París.


Imagens: Oswaldo Cruz (médico, sanitarista e bacteriologista brasileiro) ; Pereira Passos (engenheiro e político brasileiro); e Avenida Central (1908), atual Rio Branco. | Acervo COC/Fiocruz e ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira, 2026.


Inovação arquitetônica


Inspirados na estética do Art Nouveau e do Elitismo, construções emblemáticas surgiram na região central, incluindo o Theatro Municipal, a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes.


Marc Ferrez. Teatro Municipal, c. 1910. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS
Marc Ferrez. Teatro Municipal, c. 1910. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS

Sociabilidade e vida cultural


As manchetes apresentavam um novo modelo de Rio de Janeiro, mais dinâmico e moderno. A moda europeia e as novas tecnologias chegavam à cidade. A iluminação elétrica e o bonde eram as grandes novidades. Foram construídos cafés elegantes na Rua do Ouvidor, confeitarias refinadas, como a Confeitaria Colombo, teatros de revista, cinemas e calçadões à beira-mar.


Careta, 9 de setembro de 1922
Careta, 9 de setembro de 1922

Tensões sociais e contradições


Por trás da fachada de sofisticação e progresso, a Belle Époque carioca marcou fortes contradições sociais.


O Bota-Abaixo


Sob o comando de "sanear", "higienizar", "ordenar", "demolir" e "civilizar", o projeto entrou em prática a partir de 1903 sob a liderança de Francisco Pereira de Passos (1902-1906). Habitações populares, como cortiços, foram demolidos com a justificativa de afastar a cidade das epidemias constantes de febre amarela, varíola e malária, e atrair atividade comercial para o centro da cidade.


Sem diálogo ou assistência do Estado, as desapropriações do "Bota-Abaixo" deixaram milhares de pessoas sem teto e as companhias sanitárias invadiaram as casas de forma agressiva. A população expulsa passou a ocupar os morros periféricos, dando origem ao processo de favelização da cidade.


Cortiços do centro do Rio de Janeiro, lugares insalubres considerados atrasos ao movimento de modernização do prefeito Pereira Passos | Crédito: Augusto Malta/Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
Cortiços do centro do Rio de Janeiro, lugares insalubres considerados atrasos ao movimento de modernização do prefeito Pereira Passos | Crédito: Augusto Malta/Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro


A Revolta da Vacina (1904)


Quando o governo tornou a vacinação contra a varíola obrigatória, diante do descaso social, dos métodos violentos adotados, e sem acesso à informação de qualidade, a população se rebelou nas ruas na chamada Revolta da Vacina (1904).


Para conter o caos e os danos nas ruas, o governo decretou estado de sítio, suspendeu a obrigatoriedade da vacina e reprimiu os manifestantes com prisões e deportações para o Acre.


Bonde tombado por manifestantes na Revolta da Vacina (1904) | Imagem: Casa de Oswaldo Cruz
Bonde tombado por manifestantes na Revolta da Vacina (1904) | Imagem: Casa de Oswaldo Cruz

Aceleração do projeto excludente


Apesar da resistência popular, o governo mateve firme as reformas do prefeito Pereira Passos e das campanhas sanitárias de Oswaldo Cruz. O centro continuou sendo redesenhado para a elite, consolidando a expulsão dos mais pobres para os morros e subúrbios do Rio de Janeiro.





Indicação de leitura


O historiador "convida-nos a revisitar o Rio de Janeiro em suas primeiras encenações como Capital Federal. Cidade Maravilhosa, se acrescentarmos ao belo, o terrível; ao cômico, o trágico; à lógica, a loucura. Cidade mais que imperfeita, palco de políticas oficiais e invisíveis, de enredos conhecidos e mistérios insolúveis."


Romance ambientado exatamente na transição do Império para a República, retratando com ironia as mudanças de costumes da elite no Rio de Janeiro.




Coletânea de crônicas de época que captura a vida das ruas, os cafés, a moda e as contradições do Rio no início do século XX.






Palavras-chave: Belle Époque Carioca, Rio de Janeiro, Pereira Passos, Oswaldo Cruz, História do Brasil, Revolta da Vacina, Século XIX e Século XX

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